A pandemia do novo coronavírus tem motivado debates não apenas na área da saúde e do comportamento mas também nas ciências humanas. A discussão gira em torno do chamado “estado de exceção” e foi muito incentivada pelo teórico mais contemporâneo desse conceito: Giorgio Agamben.


O filósofo italiano tem propalado que a crise pandêmica atual seria apenas fundamento para ascensão de governos autoritários que se aproveitariam do clima de paranoia para endurecer medidas securitárias governamentais. Ele chega a dizer que o vírus é uma invenção e que até os professores que estão oferecendo cursos online podem ser comparados aos professores que juraram lealdade ao regime fascista.

No dia 12 de julho a revista “Em attendant Nadeau” publicou um texto de Carlo Ginzburg no qual ele contrasta sua opinião com a de Agamben. Com base na experiência do governo de Boris Johnson, ele aponta o debate sobre o termo “imunidade de rebanho” no qual o governo britânico de início propunha deixar que os habitantes do país se contaminassem para chegar a um estágio de imunidade. Essa proposta foi abandonada devido ao número enorme de mortes que poderiam ocorrer.

Então, aplicar a estratégia sacrificial da “imunidade de rebanho” seria comparável à experiências como a de Auschwitz? Agamben diz que sim. Ginzburg rejeita a ideia porque para ele não se pode aplicar o campo de concentração como paradigma biopolítico nem mesmo para interpretar o presente. Essa visão apocalíptica apenas trivializaria o fascismo. O historiador não nega o autoritarismo de certos regimes como o da Hungria, mas avisa que a Grã- Bretanha é diferente porque a democracia parlamentar deixa espaço para objeções científicas.

Coincidentemente o negacionismo de Agamben diante da pandemia é similar à de um governo autoritário como o de Bolsonaro.
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Por @sergiano.silva

https://www.faz.net/aktuell/wissen/geist-soziales/soziologie-der-herdenimmunitaet-apokalyptische-schaeferdichtung-16879171-p2.html

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