A École Normale Supérieure, estabelecimento de ensino superior dos mais cultuados na França, também é chamada simplesmente “de la rue d’Ulm”, rua onde situa-se a instituição.
Michel Foucault lá foi admitido em 1946, junto com outras 38 pessoas. Em 1945, o Partido Comunista Francês se instalara na rua, pronto para arregimentar novos membros. Deu certo. As greves de 1947 e a Guerra Fria empurraram os alunos para suas fileiras.
Jacques Le Goff, que passara um tempo na Tchecoslováquia, tentou diminuir os ânimos dos militantes novatos, mas a adesão em massa impedia uma visão crítica.
Neste contexto, em 1948, Louis Althusser entra no PC. Ele era bastante amigo de Foucault, desde quando se tornara caïman, uma espécie de preparador dos estudantes da ENS. Assim, Foucault adentra no Partido por sua influência dois anos depois.
Porém, Michel não era afeito à atividade militante. Por isso, até mesmo um ferrenho stalinista famoso pelo sectarismo, o historiador Emmanuel Le Roy Ladurie, chegou a dizer: “Foucault caía bem menos que outros nos excessos do stalinismo”.
O namoro durou três anos e gerou um bocado de versões sobre o abandono da causa. Um dos principais seria o posicionamento do partido sobre a homossexualidade.
Segundo Eribon, a ruptura ocorre depois da morte de Stálin, em março de 1953. Nem por isso, o “paizinho dos povos” proporcionou um pesar no filósofo.
Pois F. Dosse toma o testemunho de Oliver Revault no qual afirma ter visto Foucault chorar ao tomar conhecimento da morte de Stalin.
Foucault chegou a falar em entrevista que se afastara do PC já em 1952, devido ao mal estar em relação aos procedimentos stalinistas. Mas por que chorou em 1953?
Se Nietzsche chorou diante do cavalo espancado, Foucault derramou lágrimas por aquilo que já dava como morto.
Por @sergiano.silva


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