Você certamente já viu alguém falar que vivemos em um país pacato, que não se envolve em guerras e que o povo é ordeiro e pacífico. É sobre essas e outras mentiras que a “De cara com a História” tem obrigação de desmontar, mostrando que as terras brasileiras de pacíficas nunca tiveram nada.


Se você duvida disso a gente te convida a conhecer as primeiras e grandes rebeliões indígenas da “América portuguesa”, ainda no século XVI, mas já recheada de rebeliões. Muitos desses conflitos tiveram como pano de fundo os embates religiosos entre as cosmovisões indígenas e o catolicismo dos portugueses. Em outros casos vemos curiosamente a articulação dessas duas tradições religiosas se mesclando em favor da luta anticolonial.

O melhor exemplo foi o fenômeno das “Santidades”, como ficaram conhecidas as muitas rebeliões indígenas que tiveram início no século XVI. E a Santidade de Jaguaripe, seita indígena que unia elementos da mitologia cristã e tupinambá, no recôncavo baiano, foi o principal e maior obstáculo aos colonos, jesuítas e administradores da Colônia naquele período. Como nos diz Vainfas, “Emissários da seita percorriam engenhos e lavouras, incitando os índios escravizados a fugir. Faziam o mesmo nos aldeamentos da Companhia de Jesus. Chegaram a incendiar um engenho e destruíram a Igreja de Santo Antônio. Escravistas de toda a capitania protestavam junto ao Governador. Os jesuítas, desesperados, exigiam providências. Os moradores, em geral, viviam apavorados. A Bahia vivia atormentada [...]"

A base destas ações rebeldes antiescravistas e anticoloniais estava na pregação tupi na busca da “Terra sem Males”. Na mitologia indígena, essa busca do paraíso tupi acabou posteriormente se tornando uma profecia anticolonialista, anunciando que "o triunfo total estava próximo e com ele viria uma nova era de prosperidade e abundância. Os índios não precisariam mais trabalhar porque as flechas caçariam sozinhas no mato e os frutos brotariam da terra sem que ninguém os plantasse. As índias velhas voltariam a ser jovens e os homens se tornariam imortais. Todos os portugueses seriam mortos ou tornar-se-iam escravos dos mesmos índios que então escravizavam."

Por @robsoneolivro

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